Bruxaria: História, Cultura e Contemporaneidade

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A bruxaria evoluiu de práticas espirituais e religiosas antigas ao longo dos séculos e se transformou em um fenômeno cultural, histórico e social multifacetado. Este artigo explora as várias facetas da bruxaria, desde suas raízes ancestrais até sua presença na modernidade. Com uma abordagem multidisciplinar que inclui história, antropologia, filosofia e cultura popular, analisamos como as pessoas compreenderam, perseguiram e, por fim, ressignificaram a bruxaria pela Wicca aqui no Brasil e também nos EUA. Muitos conceitos acabam fazendo sinônimos para a palavra Bruxaria, sem se distinguir da magia, feitiçaria ou magia simpática. 

1. Origem Histórica da Bruxaria

A Magia tem suas raízes em tempos ancestrais, presentes em várias culturas ao redor do mundo. Diversas sociedades antigas, como as civilizações mesopotâmicas, egípcias e gregas, praticavam o misticismo, a magia e a invocação de forças sobrenaturais. Nessas culturas, os praticantes de magia, ou “bruxos”, atuavam como xamãs ou sacerdotes, sábios que mediavam entre os humanos e os deuses, normalmente isso acontecia em tribos, no mundo todo, isso pode ser visto.

Na Idade Média, a bruxaria passou por uma transformação significativa, especialmente na Europa cristã. O cristianismo começou a associar as práticas mágicas com o paganismo e o demoníaco, e as pessoas que antes reverenciavam os bruxos, agora os viam como seres demonizados. Esse período consolidou a ideia de que a bruxaria era uma prática proibida e perigosa, o que culminou em grandes perseguições.

Palavras como “bruxaria”, “feitiçaria” e suas variações, como “embruxação” e “bruxamento”, integram o vocabulário cotidiano da língua portuguesa, sempre associadas ao uso de forças sobrenaturais, feitiços e magia. O historiador Jeffrey B. Russell sugere que devemos entender a bruxaria sob três perspectivas principais: a antropológica, a histórica e a moderna.

Sob a perspectiva antropológica já falo mais a frente. Sob a perspectiva histórica, a bruxaria está profundamente relacionada aos registros dos julgamentos de bruxas, especialmente durante a Inquisição, quando as autoridades perseguiram praticantes acusados de heresia. Já na era moderna, muitos a associam a religiões pagãs e neopagãs, como a Wicca, que ressignifica a bruxaria como uma espiritualidade voltada para a natureza e o divino, visão comum entre os wiccanos.

Etimologia

No inglês antigo o termo “wiccecræft”, onde “wicce” se refere a “bruxa” e “cræft” a “ofício” ou “artesanato”, reforça a noção de que a bruxaria é uma habilidade ou trabalho. A palavra Bruxa também faz parte desse grupo de etimologia da palavra Bruxaria. Bruxa também é uma palavra com várias origens, tem o proto-celta, Brixtia que vem da deusa galesa Bricta, Brixtom e brixtu são palavras proto-celtas associadas a magia ou feitiço. E no latim antigo broscia (brosser) é uma palavra frânica que significa “correr pelo mato ralo”. Do celta hispânico *bruxtia, alteração do gaulês brixtia (magia, feitiço). No irlandês antigo brichtu (feitiços), galês médio brithron (varinha de condão), espanhol bruja, italiano brucia (queimar), catalão bruixa, occitano bruèissa.

2. A Antropologia e a Bruxaria

Do ponto de vista antropológico, a bruxaria é vista como sinônimo de práticas mágicas tradicionais, como curandeirismo e xamanismo, onde as bruxas são figuras que manipulam energias invisíveis, muitas vezes ligadas à cura ou ao misticismo. A bruxaria pode ser compreendida como uma prática cultural e simbólica enraizada na compreensão do mundo natural e espiritual. 

Em muitas sociedades, as figuras conhecidas como bruxos, curandeiros ou xamãs desempenhavam um papel crucial como mediadores entre a humanidade e as forças da natureza ou os espíritos. A bruxaria estava intimamente ligada ao conceito de magia simpática – a ideia de que se pode influenciar o mundo através de atos rituais simbólicos. E não só bruxos, curandeiros e xamãs, mas bruxas ou curandeiras, pois muitas tribos na Europa, Ameríndias ou Africanas havia uma mulher que era responsável por esse comunicação com o mundo espiritual.

Antropólogos como Bronislaw Malinowski e Claude Lévi-Strauss estudaram como as sociedades primitivas utilizavam a magia como uma forma de controlar eventos imprevisíveis, como o clima ou as colheitas. Para essas culturas, a magia não era apenas superstição, mas uma ciência primitiva que oferecia segurança psicológica em face do caos natural.

3. Os Pré-socráticos

Os filósofos pré-socráticos, como Heráclito e Empédocles, introduziram a ideia de forças invisíveis e a natureza mística do universo, o que influenciou diretamente a compreensão da magia. Heráclito, por exemplo, argumentou que o universo está em constante mudança, defendendo que o fogo é o princípio primordial da criação. Essa visão pode ser vista como simbólica nas práticas mágicas de transmutação e alquimia.

Além disso, Empédocles trouxe a ideia dos quatro elementos – terra, água, fogo e ar – que mais tarde se tornariam pilares essenciais para muitas práticas de bruxaria e alquimia. Esses elementos, frequentemente empregados em rituais mágicos, ajudam a equilibrar energias e a influenciar a realidade. Lembrando que os pré-socráticos e filósofos da Grécia estudavam no Egito, foram iniciados em escolas iniciáticas do Egito e abriram suas próprias escolas na Grécia.

4. A Perseguição às Bruxas

A caça às bruxas na Europa, na América do Norte e alguns casos que houveram aqui no Brasil é um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade. Entre os séculos XV e XVIII, milhares de pessoas, a maioria mulheres, foram acusadas de bruxaria e mortas de maneira brutal. A perseguição começou com a publicação do “Malleus Maleficarum” em 1487, um manual de caça às bruxas que classificava práticas mágicas como heréticas e demoníacas.

O medo da bruxaria estava ligado a crises sociais, políticas e religiosas, incluindo a Peste Negra, o aumento da pobreza e os conflitos religiosos. A figura da bruxa foi usada como bode expiatório para justificar a repressão, especialmente contra mulheres que desafiavam normas sociais e religiosas. Nos Estados Unidos, os julgamentos de Salem no final do século XVII são o exemplo mais famoso, resultando na execução de 20 pessoas.

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5. Magia e Práticas Rituais

Os praticantes de bruxaria realizam uma ampla variedade de rituais, feitiços e invocações como parte de suas práticas mágicas. Eles utilizam ervas, cristais, símbolos e encantamentos de forma central nas tradições de bruxaria. Por exemplo, ao usar ervas medicinais como arruda e sálvia, eles acreditam que essas plantas possuem poderes curativos e protetores.

Além disso, as bruxas que praticam a Wicca frequentemente criam círculos mágicos, invocam espíritos ou deidades e lançam feitiços voltados para proteção ou prosperidade. Esses rituais, que envolvem a manipulação de energia, buscam alcançar objetivos específicos. Para isso, eles estabelecem correspondências entre elementos naturais e aspectos da vida humana, acreditando que essa harmonia pode gerar os resultados desejados.

6. A Representação da Bruxa na Cultura Popular

A figura da bruxa passou por várias transformações na cultura popular. Desde a maléfica feiticeira dos contos de fadas até a heroína poderosa e independente em obras contemporâneas, as bruxas continuam fascinando e aterrorizando o imaginário coletivo.

Por exemplo, em filmes como Harry Potter, O Mágico de Oz e em séries de TV como Charmed e American Horror Story, os criadores retratam a bruxa como uma figura poderosa, capaz de realizar grandes feitos, tanto para o bem quanto para o mal. Além disso, a cultura pop tem desempenhado um papel fundamental ao ressuscitar a imagem da bruxa, contribuindo para a mudança em sua percepção — de vilã demoníaca a símbolo de poder e liberdade pessoal.

7. Bruxaria Moderna ou Wicca

A Wicca, movimento moderno de bruxaria que Gerald Gardner fundou no século XX, ressurgiu como uma prática espiritual respeitável e desempenhou um papel essencial nesse processo. A Wicca valoriza o respeito à natureza, a veneração dos ciclos da Terra e a realização de rituais que celebram tanto a vida quanto o divino.

Ao contrário da imagem estigmatizada da bruxaria, a Wicca defende uma filosofia que evita causar mal aos outros e exalta a Deusa e o Deus como representações do sagrado feminino e masculino. Essa prática se espalhou rapidamente pelo mundo ocidental, inspirando um número crescente de seguidores que buscam uma reconexão profunda com a natureza e com uma espiritualidade mais pessoal e íntima.

8. O Feminino e a Bruxaria

Na bruxaria moderna, especialmente nas tradições neopagãs como a Wicca, os praticantes colocam a figura da Deusa no centro de suas crenças. Eles a veem como a representação do princípio feminino, abrangendo a Mãe Terra, a Deusa da Fertilidade e a Deusa da Sabedoria. Além disso, associam a Deusa a aspectos como a Lua, a fertilidade e a natureza.

A Deusa assume diferentes formas, como a Donzela, a Mãe e a Anciã, refletindo não apenas as fases da vida, mas também as fases da Lua, é a Deusa Tríplice na Wicca pois ela age sob os três reinos, Céu, Terra e Submundo. Cada uma dessas formas transmite qualidades e ensinamentos distintos, desde a energia da juventude e criatividade até a profundidade da sabedoria e introspecção.

Os praticantes da bruxaria também consideram a Lua um símbolo poderoso do feminino. Eles veem seus ciclos como reflexos dos ciclos menstruais das mulheres, representando os ritmos naturais de crescimento, declínio e renovação.

Além disso, as fases da Lua (Nova, Crescente, Cheia e Minguante) orientam diferentes tipos de magia e rituais. Cada fase oferece energias específicas, permitindo que os bruxos as utilizem para intenções e propósitos distintos.

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9. Aspectos Legais e Sociais da Bruxaria

Nos Estados Unidos, a prática da bruxaria é protegida pela liberdade religiosa garantida pela Constituição. No entanto, mesmo com essa proteção legal, a bruxaria ainda enfrenta preconceitos em alguns setores da sociedade. Casos de discriminação e marginalização de pessoas que se identificam como bruxos ou wiccanos ainda ocorrem, embora a aceitação pública tenha aumentado nas últimas décadas.

A prática de rituais e feitiços é amplamente legal, desde que não envolva danos a outros ou viole leis civis. O reconhecimento da Wicca como religião legítima nos Estados Unidos, incluindo o direito de praticar bruxaria em público e a inclusão de símbolos wiccanos em túmulos militares, representa um avanço significativo na aceitação social da bruxaria moderna.

 

 

A bruxaria é uma prática que atravessa fronteiras culturais, históricas e espirituais, e sua ressignificação na modernidade demonstra a persistência de seus valores essenciais: conexão com o natural, viver o presente, a vida interior e a transformação espiritual. Embora a bruxaria tenha sido historicamente perseguida e estigmatizada, ela sobreviveu e prosperou como uma prática espiritual rica e multifacetada, encontrando um novo significado no mundo contemporâneo.

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